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7, 2002 |
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Se Cirandeiro foi o álbum que chamou a atenção da crítica e Aguapé firmou seu nome dentre os outros artistas da música brasileira, Virada pra Lua é então a celebração da carreira desta grande força chamada Simone Guimarães. Aqui ela inaugura novas parcerias e dentro destas vemos emergir também seu talento como excelente letrista. Os músicos que participaram de Virada pra Lua incluem parceiros antigos como Leandro Braga (piano) e apresentam também João Lyra (violão), Marcelo Gonçalves (violão de 7 cordas), Pedro Amorim (bandolim), Zé Nogueira (sax soprano), Guinga (violão) e outros músicos do mesmo calibre. Talvez, o presente maior tanto para Simone como para seus fãs foi o dueto com Milton Nascimento na faixa "Imagem e Semelhança". A faixa que dá título a este quarto lançamento de Simone Guimarães é de sua autoria com letra de Sérgio Natureza e foi inspirada a partir da sugestão de sua empresária Ana Gurgel. "Virada pra Lua" é uma boa canção para abrir este álbum pois como a própria letra adverte, a Lua que se prepare para esta chegada. Com um belo solo do sax soprano de Zé Nogueira na introdução de "Cenários", Simone prossegue a sua viagem cruzando os sertões, enfrentando chuvas e levando seu canto por onde passa com a letra otimista de Júlio Moura culminando nestes versos: "Meu canto é o som da criação na canção que eu guardei pra te levar". Belos versos. Em "Imagem e Semelhança" o som de Milton Nascimento nunca esteve tão vibrante. Esta faixa, que também apareceu no próprio álbum do Milton (Pietá, 2002, em dueto com Marina Machado) tem aqui um arranjo mais rápido, mais dinâmico. A mistura das vozes de Milton e Simone é perfeita. João Lyra dá um solo de guitarra excepcional nesta faixa. Embora neste lançamento, Simone Guimarães não tenha gravado nenhuma canção de Nélson Ângelo, em "Imensidade" ela presta homenagem a ele. Nesta composição própria, Simone também retrata a luta da povos negros que através dos tempos na história "nunca ganharam um olhar humano dos colonizadores". Veja este trecho da canção:
Na faixa seguinte, novamente temos o prazer de uma introdução com o sax soprano de Zé Nogueira se unindo ao piano de Leandro Braga em "Night-Club". Este bolero foi inspirado em um livro de cartas de Simone de Beauvoir que Simone estava lendo. O ardor de uma paixão é retratado aqui com elementos românticos que vão do brilho de um olhar aos raios do luar. Nesta noite, neste clube, Simone canta que quer o mundo então. A trama do amor e suas angústias continuam em "30 Anos" fazendo um levantamento de todas as tentativas e contratempos. O arranjo aqui é rico em metais e com um sabor mais "funk" culminando com uma batucada bem balançada ao final. Retomando uma linha mais lenta e romântica, "Meu Coração" arrebata o ouvinte com sua letra envolvente. As diversas comparações do coração com um navio sem rumo, uma madrugada fria ou até mesmo um terreno baldio se transformam de solidão e escuridão em amor no momento que o amante estende a mão e o braço quente e macio. As três próximas canções todas trazem o tema da natureza em suas letras. Em "Sertão das Águas (Dois)", Simone presta um tributo a sua terra natal, Santa Rosa de Viterbo. Em "A Fábula do Riacho", a única parceria com Cristina Saraiva neste álbum, o tema da natureza se veste de conto da fadas. A riqueza lírica dos versos nesta canção é como mágica ou simplesmente como um rio de correnteza calma. O quadro pintado é um convite para a viagem a dois. A próxima canção, "Cumbuca", nos traz de volta um compositor que já havia sido gravado em Piracema, o primeiro lançamento de Simone. O que mais chama a atenção aqui são as palavras simples que José Márcio Castro Alves escreveu para estes versos de beleza incomum:
Isto é jóia rara. Simone faz um bom trabalho nos vocais nesta música e ainda contamos de quebra com um belo solo de viola de 10 cordas a cargo de João Lyra. Para encerrar este trabalho, Simone apresenta mais duas de suas composições. A primeira, "Convulsionada", é uma declaração confusa e emocionada do desejo de ter o corpo do amado só para si e assim poder desfrutá-lo. Em contraste com o tema desta canção, a última faixa deste disco é uma marchinha de carnaval muito leve e divertida. "Marilyn", diz Simone, é uma canção que foi escrita por volta de 1991 às vésperas do carnaval. A letra de Rosana Zaidan é uma homenagem à beleza feminina no Brasil e no mundo. Esta beleza não é apenas a beleza física. Os nomes citados podem cobrir um vasto campo de belezas, tais como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Elis Regina, Sônia Braga, Cecília Meireles, Elizabeth Taylor e Sofia Loren -- todas citadas nesta faixa. A brincadeira dos versos de fazer troca de Margareth Thatcher por Marilyn Monroe ou até mesmo o apelo final para que Marta Suplicy nos ensine a ser feliz é divertidíssima. Depois deste disco, Simone Guimarães teve ainda participações especiais em lançamentos de outros artistas. Em 2001, ela cantou em Brasileira, disco de Kátia Rocha, na faixa "Tez" (Sérgio Natureza - Simone Guimarães). Também teve três faixas em Primeiro Olhar, o CD de Cristina Saraiva. As faixas naquele CD foram "Laranjeiras" (de Cirandeira) e "Relento" e "Hermanos" (de Aguapé). Em 2002, ela participou em três faixas no CD de Keco Brandão Tatanka. As faixas foram "Madre Tierra", "Oh! Grande Espírito" -- ambas cantos cerimoniais Xamã -- e "Caminho Vermelho" (de Keco Brandão). Finalmente em 2002 teve grande participação no álbum de Milton Nascimento Pietá, onde cantou três canções com seu ídolo: "Beleza e Canção" (Milton Nascimento - Fernando Brant), "Boa Noite" (Milton Nascimento - Chico Amaral) e "Vozes do Vento" (Kiko Continentino - Milton Nascimento). |