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Para o seu segundo lançamento, Simone Guimarães conta com a presença de um time de músicos que inclui, além de Paulo Jobim e Maurício Maestro, as presenças de Leandro Braga (piano), Adriano Giffoni (baixo) e Luiz Brasil (violão e guitarra) entre outros. Ligada às raízes da música e cultura brasileiras, Simone foi buscar no tema folclórico das cirandas o título deste seu trabalho. A ciranda é uma dança de roda originária de Portugal e que teve no Brasil grande receptividade. Quer em São Paulo (conhecida como sereninha), Minas Gerais (lá com o nome de serandina) ou em Goiás (aí conhecida como sarandi), a ciranda se tornou mais popular na zona da mata e litoral de Pernambuco. O cirandeiro é o adulto que canta os versos poético-musicais enquanto casais dançam ao som de violas, rabeca, ganzá e bombo (este o instrumento imprescindível na ciranda). Em um balanço contagiante cheio de ondulações, a ciranda imita o movimento do mar. Abrindo o repertório de Cirandeiro, o belíssimo e comovente "Lamento Sertanejo" registra a proposta de Simone Guimarães a unir o sertão com a cidade grande. O solo de João Carlos Coutinho no acordeón reflete a dor e melancolia do sertanejo com muita sensibilidade. Com "Brincadeira de Coroar", Simone se utiliza de uma brincadeira infantil com gosto folclórico onde ela conversa com os deuses do vento, luz e trechos pedindo a eles para protegerem e coroar os seus fiéis. "Sina" é uma toada singela onde o amor é o centro e maior expoente no relacionamento humano. Não existe dinheiro ou diploma que possam tomar o lugar do amor. A vida simples do vaqueiro é cantada nesta bela canção com letra do grande poeta popular Patativa do Assaré. Ainda ligada ao povo e à terra, passamos então para "Maria Solidária". Para Simone, esta canção traz memórias de sua infância e das muitas Marias que ela conheceu e que todos nós conhecemos. E que melhor recordação de infância do que as brincadeiras de roda que vivemos? Assim é "Cirandeiro", onde o brilho da pedra de um anel brilha mais do que o sol, que o luar e as estrelas. A interpretação de Simone é deliciosa.
Antes de encerrar este belo trabalho, Simone e Cristina nos presenteiam com uma homenagem a Leandro Braga em "Canção para um Pianista". Os versos são de uma beleza rara e um tributo merecido a este grande pianista e arranjador:
A música de Simone soa como uma cantiga de ninar onde o acompanhamento em solo de Leandro Braga se une a um vocal comovente. Poesia e música formam o par ideal aqui. As duas últimas faixas completam o quadro desta trajetória pelo folclore, pelo sertão e vastidão da paisagem natural brasileira. Em "Andorinha", Simone simplesmente canta estes versos à capela :
E encerrando Cirandeiro, "Estrela do Meu Bem Querer" fala do vento, do raio de luar, da luz no olhar da amada que partiu. Cruzando mar e sertão, fica somente a dúvida no coração se este amor voltará para ficar. Para o ouvinte, entretanto, os versos de Cristina Saraiva nesta toada de Simone Guimarães são mais um bálsamo numa noite coroada de boa música. Cirandeiro recebeu duas indicações para o Prêmio Sharp em 1997: melhor cantora e melhor arranjo. |