| Faixas: |
- Love (Paulo Padilha)
- Certas Noites (Dé Palmeira - Adriana Calcanhotto)
- Migalhas (Erasmo Carlos)
- Na Minha Veia (Zé Catimba - Martinho da Vila)
- Bem Pra Você (Dé Palmeira - Marina Lima)
- Geraldinos e Arquibaldos (Gonzaguinha)
- Hóstia (Erasmo Carlos - Marcos Valle)
- Pagando Pra Ver (Abel Silva - Nonato Luís)
- Vale a Pena Tentar (Simone - Hermínio Bello de Carvalho)
- Ame (Paulinho da Viola - Elton Medeiros)
- Definição da Moça (Adriana Calcanhotto - Ferreira Gullar)
- Deixa Eu Te Amar (Agepê - Ismael Camillo - Mauro Silva)
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Não foi surpresa para mim que depois de Amigo É Casa Simone quisesse continuar com outra incursão num repertório pop. Como em outros lançamentos anteriores da Cigarra, e.g., Seda Pura (2001), Na Veia mostra alguns dos melhores compositores pop no Brasil e ainda traz de quebra samba e MPB. Neste lançamento encontramos nomes como Adriana Calcanhotto, Erasmo Carlos, Martinho da Vila, Marina Lima, Gonzaguinha, Marcos Valle, Abel Silva, Nonato Luís, Hermínio Bello de Carvalho, Paulinho da Viola, Elton Medeiros e até mesmo uma canção original escrita pela própria Simone. Esta mistura de gêneros pode parecer inconsistente à primeira vista, mas esta produção de Simone e Rodolfo Stroeter é na verdade um prazer e um sólido trabalho. Com arranjos de Luís Brasil, Julinho Teixeira, Nelson Ayres, Rildo Hora e Simone, Na Veia é uma boa adição à longa discografia da Cigarra (este é o seu 39º trabalho solo). Completando estes arranjos, a presença de músicos do calibre de Carlos Malta (sax tenor), Luís Brasil (violão, guitarras), Sidinho Moreira (percussão), Jurim Moreira (bateria), Marcos Suzano (pandeiro), Ricardo Silveira (violão, guitarras), Jorge Helder (baixo), Marçal (percussão) e vários outros apenas acrescem esta boa base de músicos.
Há bastante samba neste álbum: a abertura com o samba funk "Love"; o samba puro do Martinho da Vila que dá título ao álbum, "Na Minha Veia"; o clássico de Paulinho da Viola com Elton Medeiros "Ame"; até fechar o trabalho com o samba do Agepê "Deixa Eu Te Amar". Simone está em casa neste repertório. A sua voz, como bom vinho, fica melhor com o passar dos anos. Suas interpretações trazem a qualidade de um artista que desfruta de sua arte.
Duas canções de Adriana Calcanhotto também estão presentes em Na Veia. Enquanto que "Certas Noites" é mais ascendente com o pandeiro inigualável de Marcos Suzano em destaque junto com o baixo de Fernando Souza, "Definição da Moça" tem mais aquele som tradicional de um blues da Adriana graças a Luís Brasil e Walter Vilaça nos violões e guitarras e ainda mais Yura Ranewsky no violoncelo. Este sabor de blues aumenta em "Pagando Pra Ver", de Abel Silva e Nonato Luís. Em particular, Ricardo Silveira (guitarra, violão) e Jorge Helder (baixo) são azes nos solos e acompanhamentos. Outra dobradinha aqui vem do repertório de Erasmo Carlos. Primeiro temos a romântica "Migalhas" com uma letra que exige ser feliz e não ter mais migalhas de um amor. A outra do Erasmo foi composta junto com Marcos Valle, "Hóstia". O tema de amor nesta é bem mais forte e mostra Simone numa interpretação do fundo da alma. Ela mais uma vez está em casa quando canta amor. O melhor momento deste trabalho e o arranjo mais surpreendente vem em "Geraldinos e Arquibaldos", do Gonzaguinha. Luís Brasil criou um arranjo que acertou em cheio. A música se renovou e adquiriu nova vida com a percussão de Sidinho Moreira e o naipe de metais com Zé Canuto (sax alto), Marcelo Martins (sax tenor), Aldivas Ayres (trombone) e Bruno Santos (trompete). O sabor caribenho é perfeito, especialmente quando a própria letra do Gonzaguinha já menciona o clássico "Matilda" do Harry Belafonte. Essa faixa é inebriante e deliciosa.
Para alguns fãs de Simone, esta combinação de romântico e pop pode até levar a distrações preliminares, mas não se engane. Ouça de novo. Você vai ouvir os bons momentos e continuar a re-ouvir Na Veia muito mais vezes.
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E.L. |
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