Simone
- “Então
Me Diz”...

Por
23 de novembro de 2005
Numa sala de um requintadíssimo hotel de São Paulo, alguns
jornalistas foram convidados para uma audição especial
do novo CD/DVD de Simone. No final da apresentação a cantora,
muito simpática e descontraída, concedeu uma entrevista
relacionada ao novo trabalho, seu dia a dia, próximos projetos
e a estréia do show em Portugal.
Para 2006 estão previstas apresentações no Chile; Cuba;
Viña Del Mar; um retorno a Portugal durante as comemorações
dos 500 anos de Funchal (Ilha da Madeira); uma participação
ao lado do cantor italiano Renato Zero; além de uma temporada
em São
Paulo, Rio de Janeiro, Nordeste, Curitiba, principais capitais e
cidades do interior.
...Ao
longo dos seus trinta e três anos de carreira é vantagem
gravar ao vivo?
Nem vantagem ou desvantagem. O momento foi propício,
porque as pessoas que gostariam que participassem estavam à disposição
(os três), o teatro estava liberado para dois dias, as músicas
selecionadas, mas não havia contrato. Gravar esse CD/DVD ao
vivo foi uma decisão em comum entre eu e o Poladian.
Já o “Baiana da Gema” lançado há mais
de um ano, é um cd completamente diferente desse atual. Apesar
de não ser contratada da gravadora, o anterior e esse foram
lançados
pelo Maynard Music através da EMI.
Não teve acordo, nem contrato, mas a vontade de fazer
esse trabalho. Um registro. O termo exato é esse, um registro
de um momento que estava acontecendo.
Quando gravei “Feminino” não houve a oportunidade
de registrar aquele momento com o Zeca Pagodinho e eu cantando juntos.
Foi bobagem não ter registrado aquilo.
Na minha vida tenho acertado mais. Desta vez deixei de errar, porque
eu registrei.
...Qual a característica que difere dos outros trabalhos
gravados ao vivo?
Todos os outros foram contratuais. O primeiro gravei ao vivo no Canecão.
Naquela época algumas pessoas que trabalhavam na EMI (vinte
e sete anos) incluíram um disco a mais. Eu tinha um contrato
de três
anos.
Para consertar aquele erro gravíssimo aproveitaram que eu
estava fazendo um show no Canecão. Não era comum gravação
ao vivo, mas ele foi gravado somente no dia trinta de dezembro. E pronto!
O segundo foi “Brasil” [onde] havia cantado a obra de Martinho
da Vila. A gravadora pediu para que retratasse o universo do samba.
Como, também, estava fazendo o show, o produtor sugeriu a gravação.
Em seguida estava saindo da gravadora, e não quis renovar
o contrato. Na verdade o último trabalho na Universal foi o
terceiro ao vivo “Feminino” um
acordo extracontratual para trabalhar o anterior. Eu cumpri minha parte,
mas eles não fizeram absolutamente nada.
...Nesse trabalho atual houve uma referência em relação às
músicas escolhidas pelos fãs na votação do
site oficial?
Você sabe que não. Eu vinha fazendo o “Baiana
da Gema” e ficaram algumas músicas. Quando
você faz
um show tem vinte e uma músicas, mas o cd tem quatorze, e
a gente não
sabe o que faz. Esse
ao “vivo” havia três convidados dos quais dois estavam
cantando músicas no show, o Bituca e o Ivan. Eu sei que a música
mais votada foi “Jura Secreta” e outras.
Para falar a verdade
nem lembrei disso, porque o show já estava pronto; era só uma
questão de adequar a participação da Zélia.
A novidade na minha vida artística.
...Como aconteceu esse encontro com a Zélia?
Esse encontro musical aconteceu no começo do ano, quando ela
estava produzindo o cd “Timoneiro” do Hermínio
Bello de Carvalho, uma pessoa importantíssima na minha vida
que pediu para participar na faixa “Mirra, Ouro e Incenso”.
Ela foi até minha casa levando a música, e marcamos
para fazer a gravação. Depois começamos a conversar,
trocar idéias
para produzir um próximo cd. Em seguida mandou “Idade
do Céu” (versão da música “La Edad
Del Cielo” do
uruguaio Jorge Drexler) guardada para o próximo trabalho, mas
ofereceu a música para mim.
Achei de uma generosidade tão grande, um gesto nobre, e como o
Moogie já estava produzindo o cd, eu convidei para cantar comigo.
...Houve algum mal estar em relação à outra versão
da Zélia?
Não houve nenhum mal estar. Eu estou super feliz com a música,
e a versão é linda. Existiu uma coincidência. A
gravação
foi exatamente em cima da música “The Blower’s Daughter"
do irlandês Damien Rice, que eu adoro. E já conhecia antes
do filme “Closer”.
Eu tive a sorte, e gosto muito das duas versões que a Zélia
fez para mim. Tanto “Então Me Diz” que na verdade
era para chamar “Musa Inglória”, mas não
entenderam muito bem o nome e a outra foi da música “You’re
So Beautiful”, também gosto demais. Essa vai ficar para
o próximo
trabalho, porque nesse já tem duas versões.
Nem ouvi a outra música inclusive. Nem sei como é. Foi
só uma coincidência.
A música foi escolhida para fazer parte da trilha sonora da novela “Belíssima”.
Tomara que o André (Marcello Anthony) e a Júlia (Glória
Pires) namorem todos os dias, porque assim minha música vai
tocar durante toda novela. (risos)
...Como é o relacionamento Simone e gravadora?
Eu não sou política. O que tenho para falar, é na
lata. Às vezes isso não é bom. Todas as multinacionais
são iguais, ninguém vem a querer perder. Por isso o relacionamento é muito
complicado do artista com a gravadora. Ele sempre vai exigir coisas
boas, e que o produto dele seja trabalhado.
Dentro dela é preciso ouvir várias pessoas, às
vezes você discorda, mas não posso dizer não quero
que faça isso. Só se for alguma coisa que, realmente,
não
concorde em gênero, número e grau. Aí, eu não
deixo que aconteça.
Há coisas que acontecem, e nem sempre são culpados, mas
nenhum deles são anjos.
Graças a Deus sou de uma época lá detrás.
Agora está mais complicado por causa dessa coisa da pirataria.
Em geral não há muito investimento em novos talentos.
...Muito artistas estão partindo para o selo próprio.
Como você vê essa experiência e como está seu
esquema fazendo contrato por cd?
Toma lá, dá cá. Acabou...
Não há mais aquela coisa de contrato, após um ano
estou totalmente liberada. Acho que é bom. Essa relação
assim é melhor das gravadoras e selos independentes. O que estou
fazendo está bom.
Eu pensei muito em ter um selo, assim como outro artista, mas de
qualquer maneira é preciso ter uma distribuidora, e 99% vai cair nas mãos
de uma multinacional.

Há vinte anos, eu, Paulinho, Djavan, Ivan, Chico e Milton chegamos
a ter um projeto de montar uma gravadora que deveria ser realizado através
do nosso procurador em comum, Toninho Morais, mas cada um tomou o seu
rumo.
O Ivan Lins e o Vitor Martins abriram a Velas. Daí perde
um grande letrista, porque acaba virando empresário. É preferível
que esteja desse lado, e escreva muito.
É uma briga de elefante contra uma formiguinha.
...Em todos esses anos você gravou e dividiu o palco com
quem quis, ou ainda pensa em gravar com algum artista especial?
Eu gravei e dividi o palco com muita gente. Eu adoro essa divisão.
Recentemente participei do show do Ara Ketu, que é uma delícia.
E já guardei o meu lugar no carnaval, lá na Bahia.
A primeira experiência que tive em dividir o palco foi com o Milton
e o Chico, num show que o Bituca (Milton) fazia no Ginásio do
Ibirapuera. O Chico era convidado cantando “O Que Será”.
Não entendia nada, porque os dois eram meus ídolos. Eu
ali em cima do palco junto com eles. Uma loucura...
Lembro que havia um copo em cima do piano. Eu achava que fosse guaraná,
mas era uísque, eu virei num gole só, e quase morri.
Até trinta e oito
anos nunca bebi nada, hoje tomo vinho.
Depois veio o Tom, Roberto, Plácido Domingos, José Carrera,
Quincy Jones, Julio Iglesias e muitos outros.
Eu já cantei com quem queria. Mas adoraria repetir a dose
com muitos deles ou experimentar novas parcerias.
...Você cantaria com o pessoal da nova geração?
A Zélia é uma. Adoro o trabalho da Marina, também
cantei com a Rita Lee fora do Brasil, o Frejat, Paralamas, Barão,
Skank.
...Você disse que está mais roqueira?
Eu não estou mais roqueira. Quem sabe na próxima geração.
Sempre cantei Cazuza, Renato Russo. Eu sou uma pessoa muito eclética.
...Ainda há o projeto de fazer um cd com as músicas
de Maysa?
Está sim. Eu conversei com o Jayme (filho da Maysa), mas tem muita
coisa. O projeto de fazer um cd só com músicas do Renato
Russo e reler a obra da Marina. Não é bem assim. Daqui
um ano, ainda, tem tanta coisa para acontecer nesse país. Nem
sei se vai ter gravadora (risos).
...Como foi a estréia do seu novo show em Portugal e a receptividade
do público português?
Um espetáculo. Eles são maravilhosos. Ô gente pra gostar
de brasileiros. São gentis e o público lindo.
...Praticamente os shows foram em seguida da gravação
do DVD?
Fui em seguida. É verdade, dois dias depois estava cantando o
DVD lá.
Eu adoro Portugal, os portugueses e os vinhos. A comida tem muito
alho, mas eu gosto muito de lá.
...Ainda faltam novos compositores na música brasileira?
A minha geração de compositores é uma que vai
demorar aparecer. As pessoas não são iguais. Claro que
não
terão outros Chico, Noel, Djavan, Cazuza, Renato. As gerações,
os ídolos e as leituras são diferentes. Se você perguntar
para uma menina ou garoto de quinze a dezoito anos a maneira que vê Renato
Russo, é a mesma que vejo o Bituca, Caetano, Ivan e o Tom. É uma
geração de peso, compositores fantásticos, letristas
e poetas maravilhosos.
Uma época em que a ditadura favoreceu muito as criações
deles, porque escreviam entrelinhas fazendo verdadeiras obras primas.
Acho que tem muita gente boa, mas na minha cabeça, eles sempre
serão a minha referência.
...Pretende
fazer um novo trabalho só com músicas de sua
preferência?
Ultimamente não, porque o anterior, “Baiana
da Gema”, só foi
com músicas do Ivan, o penúltimo na Universal, “Seda
Pura”, fiz de inéditas com o Skank, Frejat, Carlinhos Brown,
Zé de Riba; foi um cd bem eclético. Não gosto
de falar pop, porque parece que a música fica dividida em seções.
Esse novo trabalho veio de várias coisas que eu cantava. Não é um
cd com os grandes sucessos. Não é nada disso.
Não sei se o próximo de repente, eu parto para uma
releitura de alguma dessas pessoas que falei ou faço um cd de
inéditas.
Na verdade tem que correr atrás, e ao mesmo tempo você não
precisa de música nova. A música brasileira é tão
ampla, e o cancioneiro é tão maravilhoso que a gente
pode regravar discos e discos com músicas que vão parecer
novas, porque não são conhecidas. Eu acho que é isso.
...Há vinte e nove anos você canta “Jura Secreta”,
e pelo que vimos no DVD sua emoção continua. Como é sentir
essa emoção?
Essa música é linda. Ela mexe comigo de uma maneira
quando falo:
Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me
cega é o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que não
sofri
Isso é uma punhalada! Eu espero um dia poder cantar sem sentir
tanta dor, porque lá no
fundo tem uma coisa que ainda não aconteceu, não aflorou
e não passou direito. São várias leituras dessa
música, naquele dia
foi de uma maneira diferente.
Particularmente não sou uma pessoa que fica ouvindo os discos
que gravo. Como é uma novidade agora, ele está novinho,
ainda nem tenho o DVD para ver. Só tenho uma cópia do
DVD mal terminada, mas é um
momento bonito e emocionante como “O Que Será” e “Começar
de Novo”. É a minha vida que estou expondo.
São trinta e três anos de trabalho, e continuo sentindo as
mesmas emoções
de antes. Tenho o mesmo respeito, mais medo e insegurança de
entrar no palco para cantar. Eu fico uma pilha pra entrar em cena.
Sei lá é uma coisa que Deus me deu, que acontece. Só tenho
a agradecer. Tenho dito como é uma coisa nova “A vida é boa
pra mim. Tem sido muito boa. E vai continuar viu!”...
...Há algum momento especial nesse novo cd?
Todo momento foi especial, mas é só dar uma olhada no DVD
para ver a minha felicidade de cantar a música “Encontros
e Despedidas” ao lado do Bituca.
...Tem algum país que você gostaria de voltar a
cantar?
Cuba. Inclusive há uma proposta para realização
de um show ao lado de Pablo Milanês, Yuba, Luiz Represas e outros,
mas não sei se vai dar certo devido à falta de vôos
e condições de viajar, por causa da situação
do país.
...Embora tenha tido uma boa repercussão, se o “Baiana
da Gema” fosse lançado na década de oitenta
teria sido um mega sucesso. Como você vê isso?
O disco esta aí, mas tem pessoas que não gostam de
mim, e nem querem ouvir o meu trabalho. O que é que posso fazer?
Vou enfiar na cabeça. Não posso fazer nada, sinto muito.
O “Baiana
da Gema” é um trabalho maravilhoso.
Eu lembro que várias vezes fui indicada para o Grammy. Uma
coisa muito gozada, porque você faz um disco com quatorze músicas
novas. Não acontece nada. Outra vez acharam que eu era a Nina
Simone cantando samba. É lastimável, porque outras pessoas
poderiam conhecer o meu trabalho ao lado de compositores tão
importantes da maneira que eu interpreto. Como é a leitura de
uma pessoa da minha idade, e com a bagagem que tenho em relação
a leitura de uma pessoa de vinte ou trinta anos? Acho uma lastima. É uma
pena, mas vou fazer o que. Tenho absoluta certeza que o “Baiana
da Gema” é muito
bonito, tem composições lindas. É a leitura de
um só autor com seus parceiros. Está aí para quem
quiser ouvir.
...Você falou “a vida tem sido boa pra mim”.
Profissionalmente e pessoalmente se sente realizada?
Que nada! Falta muita coisa. Eu tenho muita vontade de ir para Guarajuba,
uma praia que tem lá na Bahia, que eu adoro.
Tem hora que dá vontade de ficar quietinha numa praia, e passar
um tempinho, mas tem essa comichão aí da música.
Esse negócio que não dá vontade nunca de parar.
Falta muita coisa ainda.
...Como encara o passar dos anos? Você se sente meio
como um vinho, quanto mais velho melhor?
Eu adoro vinho. Eu canto a música do Lulu Santos “Tudo que
se vê não é”...(risos). O tempo tem sido generoso
comigo, mas eu ajudo o tempo. Ultimamente, não tenho ajudado
de jeito nenhum.
...O que é ajudar o tempo?
Fazer ginástica, andar. Tenho uma alimentação que
considero ótima. Não como fritura. Nunca tomei drogas.
Minha vida foi sempre o esporte e a música. O tempo me ajudou,
mas obviamente se começar a comer doces e bolos (gosto muito),
eu engordo. Não gosto de engordar, porque me sinto pesada. Não
me sinto bem.
Quando parei de fumar engordei oito quilos. Foi duro, mas depois
emagreci. Tenho mantido meu peso durante muitos anos. Agora no final
do ano, sempre engordo uns dois quilos. Não sei se de agonia
do Natal e o aniversário,
mas logo recupero.
É uma época que não dá para fazer ginástica.
Estou com problema na lombar, que está me chateando algum tempo,
além
de uma tendinite e bursite. É a idade...(risos)
...Tem algum tipo de música que não te agrada?
A música techno. O filho de uma amiga minha passa o dia inteiro
ouvindo e inventando esse tipo de música. Ela me incomoda um
pouco, principalmente por causa daquele som grave. Não gosto
de boate, e nem de dançar esse tipo de música.
Aliás, só danço uma vez por ano, no dia do meu
aniversário,
ao som de Gloria Gaynor e outros cantores da década de setenta
e oitenta. Sou uma pessoa muito caseira.
...Numa entrevista comentou que ganhava mais do que precisa, e menos
do que merecia. Continua sendo assim?
Todo mundo aqui, ou não. A vida você pode carregar numa
mochilinha se quiser. Agora me deixa filosofar um pouco. Qual o grande
medo da gente (o meu)? De necessitar um dia, de não poder trabalhar
e não ter
um dinheiro guardado para ter uma velhice digna. Eu sou muro de arrimo.
Tenho uma família grande e amigos. Penso
muito neles. Eu gosto de ajudar as pessoas. Graças a Deus sou
generosa e a vida tem sido boa pra mim. “A posição
de dar é muito melhor do que você pedir”.
Tem gente que ganha bilhões por dia. Precisa! Não é possível
que alguém precise de tanto assim. Se todos fossem iguais aos
Bill Gates da vida sabendo que não vão precisar de dinheiro
para ter um final de vida digno, tudo seria mais fácil. A relação é essa.
Se eu soubesse que não teria nenhum problema na minha vida com
dinheiro. Não tivesse a preocupação de um dia precisar
ir para o hospital. Essas coisas todas em relação à velhice.
Tudo seria tão bom, a não ser que desse alguma coisa no
coração ou uma morte desprogramada para a vida do ser humano.
A gente nasce para morrer, e até hoje não entendo isso.
Agora quero mudar um pouquinho. Estou ganhando, mas queria mais um
pouco. Na verdade é óbvio que se eu ganhasse mais dinheiro,
eu faria um monte de coisas pra mim. Tenho feito muito pouca coisa pra
mim, mas não preciso. Não sou Buda nenhum, mas tenho desejos.
Eu queria ter muito dinheiro para ter um avião grande para não
entrar em fila e ir para algum lugar. O pequenininho não, dá uma
agonia. Não gosto de barco, adoro vinho, gosto de ficar na minha
casa assistindo filme, que é baratinho, alugo por R$ 7,00. Está ótimo.
Sou uma pessoa sem luxo.
Adorava relógio, mas não posso usar, porque já fui
roubada. Aqui em São Paulo, já puseram várias
vezes o revólver na minha cabeça. Não quero mais
ter essa experiência.
Adorava carro, mas agora aquele que você quer tem que ser blindado.
Mudou tudo. Ainda bem que peguei uma época em que pude fazer tudo
isso.Foi ótimo. Mas ainda não cheguei a ponto de andar
com a mochilinha não. Ainda tem um container, mas seria bom fazer
uma viagem só com o cachorrinho.

...Em relação ao tempo e o seu canto?
A voz muda. Eu tenho e peço sempre a Deus saúde, a coisa
mais importante que tenho. O resto é resto, e que Ele me faça
aceitar. Claro que não tenho a voz de vinte anos. Hoje sei usar
bem melhor. Se eu vejo que uma música está forçando
muito as minhas cordas vocais, muito simples abaixo meio tom. Inclusive,
isso foi uma coisa que explorei muito pouco, e brigava muito por isso.
Eu deveria ter explorado bastante os graves, porque tenho um registro
de voz, que modéstia a parte, eu adoro. O timbre da minha voz é muito
bonito.
M.H.P.
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