Fundador e primeiro diretor do Museu da Imagem do Som, Ricardo Cravo
Albin tem dedicado a sua vida para a música brasileira. Tendo convivido
com figuras lendárias, tais como Almirante
e Jacob do Bandolim, o autor de O Livro de Ouro da MPB desponta
mais uma vez no panorama musical brasileiro com uma obra de elevado
calibre. O que torna este livro um deleite para qualquer leitor é
a facilidade com que Ricardo mantém sua narrativa com linguagem
acessível e sem buscar artimanhas rebuscadas. Ele conta a história
da MPB com incrível leveza e beleza conseguindo enaltecer ainda mais
as vidas daqueles que fizeram o que a nossa música é hoje.
Ricamente ilustrado com inúmeras fotos do arquivo da FUNARTE (Fundação
Nacional de Arte), o livro segue uma narrativa linear simples e bastante
eficiente. Os oito capítulos que compõe O Livro
de Ouro da MPB são apresentados cronologicamente, partindo do
nascimento da música popular brasileira -- com a modinha e o lundu
-- e mostrando os diversos nomes que fizeram a década de ouro (os
anos 30), a era do rádio, a bossa nova, jovem guarda e todos os diversos
movimentos da MPB. O que torna a leitura deste livro ainda mais fascinante
é como Ricardo apresenta cada artista dentro de sua própria época.
Aqui você não tem apenas uma narrativa biográfica de cada cantor
ou compositor. Este livro prima em apresentar como cada nome foi
significativo e se enquadrou dentro de sua época. Esta união da pessoa
no tempo faz deste livro uma obra rara. É verdade que propostas
semelhantes foram feitas por outros autores. Entretanto, a magnitude
dos nomes aqui apresentados tornam O Livro de Ouro da MPB uma
raridade para nossa história musical. Juntado-se a cada personagem
que é destacado, Ricardo conta momentos mais importantes de suas
vidas. Esta característica e a maneira simples como os fatos são
narrados são um destaque a parte para o livro.
Embora o livro não apresente um índice onomástico, as fartas ilustrações
-- praticamente em cada página -- facilitam a busca de qualquer artista
que se procure. A bibliografia apresentada ao final é bem extensa
e certamente serve de base para futuras pesquisas para os que desejam
mais se aprofundar sobre um determinado artista. Um trabalho como
este não poderia deixar de ter pequenos erros tipográficos. Dois
exemplos são as datas confusas das mortes de Luiz Gonzaga e Cyro
Monteiro. Isto de maneira alguma tira o mérito e a grandiosidade
deste excelente trabalho.
O Livro de Ouro da MPB é genuinamente
uma prazer de ser ler. Trata-se de um retrato musical indiscutivelmente
único para nossa história. Ricardo Cravo Albin
mais uma vez dá ao povo brasileiro um pouco mais do seu inesgotável
legado com esta grande obra.

Egídio Leitão
Outubro 2003