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Todas de Keco Brandão, exceto onde indicado.
- Abertura / Suíte Tatanka
- Madre Tierra (PD) - c/ Simone Guimarães
- Nação Vermelha
- Oh! Grande Espírito (PD) - c/ Simone Guimarães
- Canção do Amanhecer (PD)
- Povo em Pé - A Nação Árvore
- Canção do Peyote (PD) - c/ Lula Barboza
- Coração de Búfalo
- Canção da Mulher Guerreira (PD) - c/ Virgínia Rosa
- Caminho Vermelho - c/ Simone Guimarães
- Wini Wini Hou Wine (PD) - c/ Lula Barboza
- Yana Hene You Em / Oh! Grande Espírito (PD) - c/ Lula Barboza
- O Fogo Sagrado - c/ Márcio Gianullo
- A Tomada do Xale - Retorno ao Lar - c/ Mônica Salmaso
- Nação Tambor (PD) - c/ Marlui Miranda
- A Colheita - c/ Márcio Gianullo
- Jungle Tears - Lágrimas da Selva (Moacyr Luz - Aldir Blanc) - c/ Lula Barboza
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A música indígena brasileira é provavelmente um gênero de pouca divulgação. A não ser por gravações antropológicas, não existem muitos artistas se aventurando nesta categoria musical. Nomes como o de Marlui Miranda não são comuns para muitas pessoas. Adicione-se a este o de Keco Brandão (Rio Grande do Sul, 1964). Com o seu lançamento Tatanka (búfalo na língua Lakota), Keco presta homenagem a todos os povos indígenas das Américas e em particular ao índio brasileiro.
Keco Brandão nasceu em Porto Alegre. Sua afinidade com a música começou cedo. Aos 9 anos, embora sem educação musical, ele já havia começado a compor. Aos 11 anos, já morando no Rio, ele começou a tomar aulas de piano. Após mudança para São Paulo alguns anos mais tarde, ele entrou de vez no cenário musical tomando parte em vários festivais e formando grupos musicais. Entre estes, encontramos Ópera Brasil, O-Kotô, Suite Combo e outros mais. Mais alguns anos e ele começou colaborações com Jane Duboc, Fábio Jr. e Leila Pinheiro. Ele escreveu arranjos e se apresentou com nomes tais como Milton Nascimento, Rosa Passos, Pedro Mariano, Toquinho, João Bosco, Fátima Guedes, Zizi Possi e outros. Mesmo com uma agenda super ocupada, Keco ainda encontrou tempo para lançar seus próprios trabalhos, que cobrem estilos incluindo "new age" e bossa nova.
Em suas próprias palavras, Keco define Tatanka como "a canção da vida. Tatanka é a própria vida". Mesmo parecendo muito suscinto, estas palavras definem muito bem este belíssimo trabalho, desde o encarte rico em informações e, principalmente, a música apresentada com participações especiais de Simone Guimarães, Lula Barboza, Márcio Gianullo, Mônica Salmaso e Marlui Miranda. Os músicos que tocam esta obra mística e cativante de Keco Brandão incluem Marisa Silveira (cello), Teco Cardoso (flautas), Guello (percussão), Edson Ghilardi (derbák), Tuco Marcondes (violão de 12 cordas) e, naturalmente, Keco Brandão ao piano e muitos outros instrumentos -- muitos para enumerar aqui.
A abertura com tambores e percussão em "Abertura/Suíte Tatanka" é puro êxtase. A música súbitamente se acalma e Keco entra com um solo de piano acompanhado de chocalhos, flautas e mais tambores ao fundo. Esta abertura grandiosa é mágica e inebriante nos seus 11 minutos de puro deleite musical. Esta suíte cobre os vários temas que serão explorados nesta gravação: o Grande Espírito, a dança do Sol, o vale da águia, o coração do búfalo e outros. Abraçando o ouvinte em uma aura de misticismo e ritmos cadenciados, esta música magistral ecoa nos nossos pensamentos com tons multicoloridos e visões caleidoscópicas. A transição para "Madre Tierra", um canto xamã, se desenvolve nos vocais inigualáveis de Simone Guimarães. Aqui temos uma oração para Mãe Terra. Keco agradece a Mãe Terra por todas as oportunidades e fertilidade. Simone Guimarães retorna ainda em duas outras canções: "Oh! Grande Espírito" e "Caminho Vermelho". Na primeira ela canta para o Grande Espírito na Terra, Sol, céu e mar -- todos presentes em nós e em nossa volta. Na outra canção, ela vocalisa apenas. Com um balanço ímpar entre números vocais e instrumentais, Keco continua sua visão da raça vermelha com as composições "Nação Vermelha" e "Nação Árvore". Em "Coração de Búfalo", Keco nos leva a um estado contemplativo para aliviar nossas almas e corações. A música é como se fosse uma canção de ninar e presta tributo ao búfalo, que acredita-se ser um animal associado com abundância e oração. Três outras vocalistas adicionam suas vozes a este tapete musical em Tatanka: Virgínia Rosa apresenta o canto cerimonial em Lakota com "Canção da Mulher Guerreira"; Mônica Salmaso vocalisa em "A Tomada do Xale - Retorno ao Lar" e Marlui Miranda traz uma adaptação dos Xavantes com "Nação Tambor". Além destas excelentes vocalistas, devo ainda mencionar os vocais de Lula Barboza e Márcio Gianullo em 6 outras faixas. A comovente apresentação que Lula nos brinda na última faixa, "Jungle Tears - Lágrimas da Selva" é de uma ternura profunda. A letra de Aldir Blanc é simplesmente nome após nome de várias tribos indígenas do Brasil: Asuriní, Araweté, Omágua e mais uns outros 20 nomes. A voz de Lula sobe nas alturas em homenagem aos índios brasileiros.
A música em Tatanka é riquíssima e cerimoniosa, mas ao mesmo tempo mantém o ouvinte em completo fascínio. Keco Brandão habilmente criou uma rara obra para homenagear a luta dos povos indígenas das Américas. Tatanka é eterno!
Para conhecer mais sobre este trabalho, por favor visite o sítio de Keco Brandão.
E.L.
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