| Faixas: |
Todas as faixas são de Moacir Santos.
- Agora Eu Sei
- Outra Coisa
- Paraíso
- Vaidoso
- Flores
- Saudade de Jacques
- Cleonix
- Ricaom
- De Bahia ao Ceará
- Excerto No. 1
- Os Lemurianos (Pâtâla)
- Rota Infinito
- Samba Di Amante
- Carrossel
- Felipe
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Qual o segredo para lançar um disco ainda melhor que Moacir Santos - Ouro Negro? Mario Adnet e Zé Nogueira acertam em cheio com a excelente idéia de investir mais ainda na música do extraordinário maestro Moacir Santos (Vila Bela, PE, 1926) nos brindando com este trabalho essencial, Choros & Alegria.
Entretanto, antes de me aprofundar mais neste trabalho, quero também ressaltar o lançamento dos três volumes do songbook Cancioneiro Moacir Santos, os quais foram lançados simultaneamente junto com este CD no Brasil. Os livros, também organizados por Mario e Zé, dão enfoque à música escrita por Moacir. Os três volumes são Coisas (com as músicas do disco de 1965, o qual foi relançado este ano); o segundo é Ouro Negro (referindo-se ao mesmo álbum duplo); e o terceiro é Choros & Alegria. Para publicar estes livros, Mario e Zé tiveram que re-escrever de ouvido todos os arranjos em Coisas, já que os originais haviam se perdido. Esta tarefa, tão árdua como seja, mostrou a dedicação e empenho que Mario e Zé tem de manter viva a grande música de Moacir Santos.
Choros & Alegria cobre a música de Moacir antes do álbum Coisas (1965). Reunir músicos para um trabalho deste porte não foi difícil, especialmente porque os nomes de Mario e Zé estavam no projeto. Dentre os vinte e quatro principais participantes do trabalho, temos entre outros os nomes de Andréa Ernest Dias, Cristóvão Bastos, Jessé Sadoc, Marcello Gonçalves, Marcos Nimrichter, Nailor Proveta, RIcardo Silveira, Teco Cardoso, Zé Paulo Becker e, naturalmente, Mario Adnet, Zé Nogueira e o próprio Moacir Santos, sem falar no convidado especial Wynton Marsalis.
Mario e Zé fizeram uma boa pesquisa para resgatar várias das faixas deste disco. Por exemplo, se olharmos estas faixas aqui apresentadas numa linha temporal, temos então seis delas (faixas quatro a nove) tendo sido escritas nos anos de 1940, o mesmo tempo em que Pixinguinha estava revolucionando a música brasileira com suas orquestrações. Quanto aos outros números, podemos perceber a complexidade melódica mais usualmente associada a Moacir Santos desde 1965 até o presente. Os arranjos neste disco foram escritos por Moacir, Mario e Zé na sua maioria, mas uma faixa -- o belíssimo choro "Ricaom" -- foi assinada pelo Trio Madeira Brasil e ainda outras foram re-orquestrações de Mario para arranjos originas de Moacir Santos e Curt Berg. No final de tudo, as quinze faixas mostram a beleza das composições do universo musical de Moacir Santos. Entretanto, preciso ressaltar que são as faixas de 1940 que formam o centro deste trabalho. "Vaidoso", a primeira destas faixas, apresenta o solo de sax tenor de Marcelo Martins, que mais tarde se junta ao belo trombone de Vittor Santos em um inesquecível dueto. O solo de clarineta de Proveta em "Flores" é outro momento a se destacar. Ele ainda dá lugar na segunda parte do arranjo para o pícolo de Andréa. É realmente difícil de resistir a tentação de se quere dançar. Existe um clima saudoso que fica evidente nestes arranjos. Os anos dourados de 1940 estão aqui vividamente retratados. O solo acordeon e piano que Marcos Nimrichter apresenta em "Saudade do Jacques" é uma grande homenagem ao homenageado desta composição, Jackson do Pandeiro. Como o título já indica, "Cleonix" é dedicada à esposa de Moacir Santos, Cleonice Santos. Aqui o sax soprano de Zé Nogueira se iguala em beleza ao trompete de Wander Nascimento. A riqueza música é ardente em todos os aspectos. Quando o grupo muda em "Ricaom", temos então o arranjo maravilhoso do Trio Madeira Brasil. Zé Paulo Becker (violão), Marcello Gonçalves (violão de 7 cordas) e Ronaldo do Bandolim (bandolim) brilham majestosamente. Para encerra esta seção dos anos 1940, temos um encontro feliz da flauta (Andréa), clarinete (Proveta), sax tenor (Marcelo) e trombone (Vittor). As demais faixas deste trabalho servem como pontos de apoio para a firmeza deste projeto. "Outra Coisa", por exemplo, traz uma clara ligação com os temas originais do álbum Coisas. Também devo ainda ressaltar a presença nobre de Wynton Marsalis com seu solo de trompete em "Rota Infinito" (o título usa mesmo o símbolo do infinito em vez da palavra).
Choros & Alegria trata-se de um grande trabalho dando o devido destaque às composições de Moacir Santos em arranjos e apresentações superbas. Mario e Zé conseguiram um feito raro nesta produção. Só podemos mesmo é esperar que mais coisas boas ainda virão das mãos e cabeças deste dois. Você pode ler mais sobre este trabalho e o artista aqui. Mais informações e até mesmo amostras das música estão disponíveis aqui.
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E.L. |
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