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O grupo instrumental Marimbanda é tão singular quanto seu próprio nome. Formado em 1999 em Fortaleza, Marimbanda ganhou este nome através de uma composição da contrabaixista Adriano Giffoni. Com uma boa dose de improvisação adicionada a ritmos genuinamente brasileiros - samba, baião, frevo, etc. - a Marimbanda obteve grandes elogios no seu trabalho de estréia. A formação do grupo neste primeiro cd é Luizinho Duarte (bateria, percussão),
Heriberto Porto (flautas), Ítalo
Almeida (teclados) e Júnior Primata (baixo). O grupo traz na maior
parte composições originais para este lançamento, exceto pela regravação
do clássico "Pisa na Fulô", que aqui recebe um arranjo arrojado e mais
contemporâneo com muita suavidade, um fato que desponta como marca da
Marimbanda. É óbvio que a canção tema de Adriano Giffoni está presente.
Esta combinação de músicos talentosos é que cria o som híbrido que encontramos
em Marimbanda. Por exemplo, Jr. Primata traz em sua bagagem
a experiência com músicos tais como Manassés
e Renato
Borghetti. Já Luizinho Duarte, que também é excelente violonista
e compositor, claramente mostra as influências do Zimbo Trio assim como
também das tradições de samba e choro. Os solos e composições de Ítalo
Almeida nos levam a Bill Evans e Chick Corea sem, entretanto, esquecermos
de frevos e sambas. A abertura com a faixa de Adriano Giffoni, "Marimbanda", começa com
a bateria super dinâmica de Luizinho. O grupo entra de cara com muita
energia e troca solos rápidos uns com os outros. As mãos de Ítalo parecem
deslizar levemente no teclado enquanto que a flauta de Heriberto nos
deixa sem fôlego tamanha a vitalidade. Tudo isso recebe o apoio do baixo
de Jr. Primata. Essa troca maravilhosa de solos leva uns 4 minutos e
se alterna entre compassos rápidos e mais lentos. Entra então "Destino",
o que leva a Marimbanda a diminuir o tempo um pouco. Esta linda bossa
se torna então o ponto central para Primata fazer o solo principal. Luizinho
está mais ao fundo e apenas acompanha de leve o piano de Ítalo e a flauta
transversal do Heriberto. Estes contrastes entre baladas e músicas mais
rápidas se tornam um grande atrativo neste cd. Depois de "Destino", por
exemplo, "Feito Assim" retoma o pique com um ritmo mais jazístico rápido.
O mesmo ocorre com "À Procura do Conde", que dá sequência a calma em
"Luiz da Arte", que é um baião suave. A propósito, o jogo de palavras em
"Luiz da Arte" e Luiz Duarte é muito inteligente. Marimbanda acaba de lançar seu segundo álbum, Tente Descobrir. Este é o momento preciso para ouvir esta dobradinha de excelentes trabalhos. A banda parece estar destinada para um futuro bem promissor. Marimbanda é mais do que um grande trabalho enaltecendo a música instrumental brasileira. O som da banda é ao mesmo tempo vibrante e sereno, eletrizante e acalmante. Tudo é feito com o maior e melhor profissionalismo e estilo incomparável.
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