Basta olhar para a capa do CD para perceber que este não foi um
tributo qualquer. Trata-se de um trabalho apaixonado criado por Josee
para um dos artistas mais admirados no mundo. Foi a partir do seu
encontro com Jobim em setembro de 1993 que nasceu a idéia deste álbum.
Com três trabalhos anteriores sobre música brasileira, esta holandesa
percebeu o momento certo para dedicar este trabalho inteiramente
para Jobim. Originalmente, o próprio Jobim ia participar destas gravações,
mas seu precoce falecimento a 8 de dezembro de 1994 o impediu de
cantar aqui. Bom, pelo menos em presença física.
Tribute foi produzido e arranjado por Dori Caymmi, grande
admirador e colaborador da música de Jobim. O grupo que acompanha
Josee reúne alguns dos melhores músicos dos dois lados do Atlântico.
Claudio Slon (também já falecido) aparece na bateria, Nathan East
no baixo, Hans Vroomans ao piano (belíssimo), o próprio Dory ao violão
e alguns vocais, Paulinho da Costa na percussão e mais ainda Don
Grusin (teclados), Tom Scott (flauta e sax) e outros mais. Só mesmo
a música de Jobim para unir tantos talentos assim. Acima de tudo
isso, a voz tranqüila e interpretações apaixonantes de Josee fazem
deste trabalho um present ímpar para os fãs de Jobim no mundo inteiro.
O clássico de Jobim/Mendonça "Samba de Uma Nota Só" abre o álbum.
O solo de piano de Hans é surpreendente, chegando muitas vezes a
lembrar exatamente o estilo incomparável do próprio Jobim ao piano.
Em contraponto ao ritmo equilibrado, o solo de Bill Reichenbach no
trombone é um outro destaque nesta faixa. Mantendo o mesmo ritmo
e arranjo bem gostoso, temos então "Piano na Mangueira". Para dar
uma pequena transição, vem então "A Felicidade", onde Paulinho da
Costa com sua percussão suave domina a introdução. A voz de Josee
é melancólica e, como sempre, muito bonita. O seu enunciar das palavras
cativa e registra a essência da tristeza nesta música do Tom e Vinícius.
Retomando um ritmo mais rápido, ouvimos então "Só Danço Samba", que
aqui nos faz lembrar muito do estilo de João Donato neste arranjo.
No meio do arranjo, uma pequena variação dá um toque todo especial
a esta faixa. Mais uma vez, o piano de Hans recebe destaque nesta
faixa. Para "Águas de Março", Josee conta com a colaboração do seu
produtor e arranjador, Dori Caymmi. Juntos eles apresentam esta faixa
sem quaisquer artimanhas e de um modo direto, como o tradicional.
Uma das composições mais belas já escritas por Jobim, "Lígia" recebe
um anrranjo de rara beleza. Há algo de mágico na voz de Josee que
lembra uma paixão ardente quando ela canta canções românticas, como
é o caso de "Lígia". Do mesmo modo, o hino da bossa nova "Chega de
Saudade" comprova que Josee também mostra seu suíngue em canções
mais rápidas.
Uma das tarefas mais difíceis ao se gravar um compositor do calibre
de Tom Jobim é certamente a escolha do material. Imediatamente junto
com isso encontramos então como o repertório vai ser apresentado.
Graças aos excelentes arranjos de Dori Caymmi, Josee mostra ser capaz
de trazer clássicos como "Corcovado" e "Chovendo na Roseira" para
uma nova dimensão. Por exemplo, o solo de acordeon de Suzie Katayama
em "Chovendo na Roseira" demonstra inovação e beleza ao mesmo tempo. Tribute
to Antonio Carlos Jobim é um belo reconhecimento da música deste
que foi um marco na música brasileira e mundial.