Danilo Caymmi

(Danilo Cândido Tostes Caymmi) Rio de Janeiro - RJ, 7/3/1948


Por: Adalberto Carvalho Pinto
Revisão: Maria do Carmo Nogueira da Gama


Danilo Caymmi"Nossa, Seu Dorival, que som enjoado !!!...." - bradava a vizinha dos Caymmi, por volta de 1962, quando o menino Danilo tirava os sopros de sua ocarina, um instrumento no mínimo curioso, de origem indígena, presente do pai.

Meses depois o menino entrava num estúdio de gravação pela primeira vez, junto com os irmãos mais velhos e os pais, a convite de Aloysio de Oliveira, para registro do histórico "Caymmi Visita Tom". Danilo, na época com 15 anos, cursava o científico, mas já sabia que seu negócio era com música. Anos mais tarde abandonava o curso de Arquitetura, aos 44 minutos do segundo tempo.

Mas a responsabilidade maior estava por vir. Era o ano de 1968 e uma cantora jovem, porém talentosa, carismática fora convocada para defender, ao lado dos Golden Boys, a canção feita em parceria com Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, no III Festival Internacional da Canção. Começava, então, a carreira de Beth Carvalho. A canção, intitulada "Andança", com harmonia simples e letra despretensiosa, ficou em 3º lugar e até hoje é obrigatória em shows da Beth.

Ano seguinte, outra prova de fogo: "Eu vou voltar aos velhos tempos de mim / Vestir de novo o meu casaco marrom / Tomar a mão da alegria e sair / Bye bye Ceci nous allons...". Era o sucesso "Casaco Marrom", na voz de Evinha, lançada simultaneamente a "Cantiga por Luciana", de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós.

Em fins dos anos 60, o rock progressivo Jethro Tull despertava interesse pelo estudo do instrumento. Danilo, ao lado de Mauro Senise e Paulo Jobim, matriculou-se na Pró-Arte, escola especializada na formação de jovens instrumentistas. A professora era D. Odette Ernest Dias, que lembra com saudosismo os alunos ilustres, em depoimento à Rádio Senado FM, de Brasília, em princípio de 1999:


"Quando eu dava aulas no Rio, nos anos 60, numa escola chamada Pró-Arte, a flauta ficou na moda, porque tinha um conjunto, o Jethro Tull, com um flautista, o Ian Anderson, que tocava uma música de Bach, que todo mundo queria tocar. Teve uma época que eu tinha trinta e seis alunos de flauta, e uns muito conhecidos, o Mauro Senise, o próprio filho do Tom Jobim, o Danilo Caymmi, todos esse pessoal estudou flauta comigo..."


Dono de um sopro intimista, inconfundível, Danilo participou como instrumentista em inúmeras gravações de artistas da música brasileira, alternando acompanhamentos ou solos de flauta em dó (C), em sol (G) e flauta baixo. Disse certa vem em entrevista à TVE, sem falsa modéstia, que se um mágico desfizesse suas participações em trabalhos de outros intérpretes, certamente iria faltar muita coisa. De fato, é extensa a colaboração do Danilo instrumentista, sobretudo nos anos 70 (veja abaixo).

Em 1984, foi convidado por Tom Jobim para integrar a Banda Nova (Jaques Morelenbaum, Paulo Jobim, Ana Lontra, Maucha Adnet, Beth Jobim, Paula Martins). O primeiro trabalho com Tom, depois de longo jejum, seria a participação na gravação da trilha sonora de "O Tempo e o Vento". Mais tarde, excursionaria pelos Estados Unidos com o Maestro e a Banda, em espetáculo registrado em disco, "Rio Revisited", com a participação especial de Gal Costa.

Em 1987 Tom, impressionado com o timbre de voz do músico, deu-lhe ultimato: "Você tem que cantar !". Foi assim que o Danilo cantor, do longínquo "Cheiro Verde", seu primeiro álbum solo (1977) voltou a soltar a voz. No princípio foram participações discretas na edição limitada do álbum duplo "Tom Jobim" (que mais tarde seria relançado em CD). Neste trabalho, Danilo cantou "Modinha" (Seresta n.º 5), de Villa Lobos e Manuel Bandeira, "Samba do Avião" (Tom Jobim-Vinícius de Moraes), "Falando de Amor" (Tom Jobim) e "A Felicidade" (Tom Jobim-Vinícius de Moraes).

A partir daí, e paralelamente ao trabalho com Jobim, Danilo compôs novas canções com novos parceiros, como o pernambucano Dudu Falcão (ambos responsáveis por parte da trilha sonora da mini-série Riacho Doce, de 1989) e J. C. Costa Netto, o que lhe rendeu quatro CD's (Danilo Caymmi - RGE, Danilo Caymmi, Sol Moreno e Mistura Brasileira, lançados pela EMI). No mais recente trabalho - Mistura Brasileira, contou com um dos últimos registros de João Nogueira, em dueto na bem-humorada "Eu Fiz uma Viagem", canção do pai.


Para conhecer melhor Danilo Caymmi:

1. Discografia Básica

2. O Compositor Danilo Caymmi, por outros intérpretes

3. O flautista Danilo Caymmi - participações em gravações de outros intérpretes:

Outubro 2003

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